O céu desabou


Feito de areia e fogo
Muito frágil para cair
Eu percebi, algo mudou por aqui
Uma dor insuportável que ultrapassa a agonia.
Mutando, evoluindo, se transformando.
A areia sozinha é só um grão, o fogo não.
É difícil de entender e eu não me entendo
A areia é pisada por quem passa
O fogo é para aquecer.
Se o fogo ilumina, pode queimar quem o acender
Fogo me lembra muito a paixão
Essa é a verdade do que eu sou.
Sou feito de areia e fogo
Areia e o fogo faz o vidro
Um vidro quebrado é impossível de ser restaurado.
Frágil de mais para cair.
Eu caí, quebrei, espatifei.
Busquei o que procurava e até achei que encontrei.
Me satisfez.
Me enganei.

Dor, raiva, medo, insegurança
Receios, desespero, febre, orações
Desapego, recordações...
Tudo que se fez se desfez
Já não sou mais vidro desde que me quebrei
Acredite, doeu tudo que havia para doer, mas superei.

Em uma noite chuvosa o céu desabou.
Eu que era vidro voltei a ser o que sou
O lobo ferido
O que finalmente escutou
O uivo solitário que outro lobo soltou
Está tudo bem agora!
Mas a tempestade ainda não passou.